Atendimento remoto permitiu ao município eliminar a espera em cinco especialidades e integra uma rede que já alcança 78 cidades de Mato Grosso do Sul
A telemedicina mudou a rotina de pacientes de Vicentina, como a aposentada Telma Santos Alves, que já realizou sete atendimentos sem precisar viajar para consultar especialistas. O município zerou filas em cinco especialidades e reduziu deslocamentos e gastos com transporte. A iniciativa integra a expansão da saúde digital do Governo Riedel, cuja rede de telemedicina já alcança 78 municípios, segundo a Secretaria de Estado de Saúde.
Aos 60 anos, a aposentada Telma Santos Alves conhece uma dificuldade comum a quem mora em municípios pequenos: quando o tratamento depende de um especialista, cuidar da saúde pode significar também pegar a estrada. Consultas e exames fora da cidade exigem transporte, tempo e uma reorganização da rotina que acaba se somando ao próprio peso do tratamento.
Em Vicentina, esse caminho ficou mais curto para Telma. Primeira moradora do município atendida pelo serviço de telemedicina, ela já realizou sete teleatendimentos sem precisar se deslocar para consultas em outras cidades.
“Eu estou acompanhando aqui com a doutora Daniela Mourão. Estou me sentindo muito bem. Eu estava tomando insulina e agora não estou mais tomando”, relata.
Para a aposentada, a mudança não está apenas na possibilidade de conversar à distância com uma especialista. Está também em algo mais simples e bastante concreto: poder continuar o acompanhamento perto de casa.
“O atendimento daqui é muito bom, não precisa a gente ir para outra cidade fazer exame e essas coisas”, afirma. “Aqui eu estou sendo bem atendida. Agradeço muito a equipe e a doutora Daniela.”
A experiência de Telma ajuda a dimensionar uma mudança mais ampla na rede municipal. Segundo a Secretaria de Saúde de Vicentina, a utilização da telemedicina permitiu zerar as filas de neurologia pediátrica, neurologia clínica, pneumologia, endocrinologia e ortopedia clínica.
São especialidades que antes podiam obrigar pacientes a esperar por encaminhamento e viajar para outros municípios, dependendo do transporte oferecido pelo poder público ou de recursos da própria família.
“A principal mudança está na possibilidade de o paciente ser atendido por um especialista sem precisar sair da cidade — em algumas situações, com acompanhamento feito dentro da própria casa”, afirma o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição.
Com o atendimento remoto, parte dessa demanda passou a ser resolvida sem que o paciente precise deixar Vicentina. Segundo a secretária municipal de Saúde, Ludelça Dorneles, a mudança tornou os encaminhamentos mais rápidos e reduziu o desgaste enfrentado pelos usuários.
“Desde que fizemos adesão ao programa de telemedicina, estamos encaminhando nossos pacientes de forma mais rápida e confortável. O paciente é atendido por um especialista dentro do seu município e às vezes dentro da sua própria casa. Isso tem facilitado muito, trazido mais conforto e mais fluidez no atendimento”, explica.
Menos estrada, mais agilidade
Em um estado de grandes distâncias territoriais e no qual parte dos especialistas está concentrada nos centros urbanos maiores, a localização do serviço de saúde pode determinar quanto tempo e esforço serão necessários para chegar a uma consulta.
É justamente nesse ponto que a saúde digital procura atuar. “A proposta é usar a tecnologia para aproximar a atenção básica dos especialistas, permitindo que determinados casos sejam avaliados remotamente e reduzindo a necessidade de deslocamentos”, explica Riedel.
Para as prefeituras, o efeito também aparece na organização da rede. Ludelça afirma que, em Vicentina, a diminuição das viagens para consultas fora do município reduziu despesas com transporte e tornou mais rápida a resposta aos pacientes.
“Os casos são resolvidos de forma mais rápida e dentro do próprio município. Para nós, foi uma experiência extremamente exitosa”, resume.
A expansão da telemedicina faz parte de uma estratégia mais ampla do Governo de Mato Grosso do Sul para ampliar o acesso à assistência especializada por meio da saúde digital. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), 78 municípios já utilizam a telemedicina na rede pública estadual, o equivalente a 98% de adesão.
O alcance territorial, porém, é apenas uma parte do desafio. Para a superintendente de Saúde Digital da SES, Marcia Bogena Cereser Tomasi, a próxima etapa é fazer com que a infraestrutura instalada se traduza cada vez mais em consultas e acompanhamento para quem depende do SUS.
“Nosso objetivo é transformar toda essa estrutura já implantada em atendimento efetivo para a população, ampliando o acesso a especialistas, reduzindo filas e fortalecendo a rede pública de saúde em todo o estado”, afirma.
A experiência de Vicentina mostra como esse processo pode aparecer na ponta do sistema. Ao zerar filas em cinco especialidades, o município encurtou a distância entre a procura por atendimento na rede local e a avaliação por um especialista.
Para Telma, no entanto, a dimensão dessa mudança cabe numa medida muito mais cotidiana. Depois de sete teleatendimentos, cuidar da saúde deixou de significar necessariamente viajar para outra cidade. A estrada, que antes podia fazer parte do tratamento, já não precisa ser o caminho obrigatório até o médico.

