Ação da UICC cumpriu mandados de busca e apreensão e de prisão em Juscimeira (MT), com apoio da PM de Mato Grosso; 2 das pessoas expostas nas publicações foram assassinadas
A UICC (Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos) do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) deflagrou hoje, quinta-feira, dia 3 de setembro, a Operação Death List, com apoio da PMMT (Polícia Militar de Mato Grosso).
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão contra um homem, morador em Juscimeira (MT), acusado de ser o responsável por perfil em rede social para divulgação de listas de pessoas “decretadas” para morrer por facção criminosa.
ALVOS MORRERAM
De acordo com a promotoria, os alvos eram identificados pelo nome, foto, apelido e cidade de residência. Em sua maioria, moravam no interior sul-mato-grossense. Duas pessoas que aparecem nas publicações teriam sido posteriormente assassinadas.
Uma das vítimas seria Márcio Aparecido da Silva Filho, de 27 anos, morto em Cassilândia, no dia 1º de agosto. Ele estava dentro de um carro junto com a filha de três anos de idade que também foi atingida e morreu.
No dia seguinte foi preso um homem que teria relatado ser o responsável por pilotar a moto que levou o atirador; e na madrugada do dia cinco de agosto, os suspeitos de praticarem o crime morreram em confronto com policiais militares do Batalhão de Choque. Armas e drogas foram apreendidas durante a ação.
INTIMIDAÇÃO DE RIVAIS
Com a exibição de poder territorial e a intimidação de rivais migrando para as redes sociais, o MPMS tem usado como estratégia, o combate a organizações criminosas também em ambiente digital. Foi durante um trabalho de análise técnica da UICC a identificação do responsável pelo perfil de divulgação de “decretados”.
“O conjunto de elementos permitiu vincular o perfil ao investigado, apesar das sucessivas tentativas de apagamento de rastros digitais”, divulgou a promotoria.
Durante o cumprimento de mandados foram apreendidos aparelhos de telefone celular que serão submetidos à extração e análise forense, com observância da cadeia de custódia. Isso significa que os dados serão coletados para que mais detalhes sejam apurados ou provas levantadas.
Os crimes investigados são de favorecimento ao domínio social estruturado previsto no Marco Legal do Combate ao Crime Organizado e, se comprovado, tem pena de reclusão de 12 a 20 anos, sendo considerado de natureza hedionda. Também é apurada ameaça em contexto de facção.
A orientação do MPMS é para que a população não compartilhe publicações como essas, nem como forma de alerta, e que comunique de forma imediata as autoridades sobre a existência de conteúdos que exponham pessoas a risco de morte.
Quem receber esse tipo de imagem pode denunciar a órgãos de segurança pública ou diretamente à promotoria, através da Ouvidoria do MPMS.
MAIS UM CASO
Na noite de terça-feira, dia 1º de setembro, um caso com essas características também chamou a atenção no Estado. Um adolescente, de 17 anos, cuja imagem teria circulado com a descrição de “decretado” de morte por facção em redes sociais, foi executado com tiros na cabeça em uma residência no bairro Santo Antônio, em Paranaíba.
O acusado teria chegado à casa e dito a uma mulher, de 23 anos, que precisaria entregar um objeto à vítima. Ela teria deixado ele entrar e se aproximado do adolescente que estava na cozinha e efetuado os disparos.
Testemunhas teriam relatado ainda que ouviram a vítima dizer que não conhecia o atirador e também que o suspeito teria deixado a casa comemorando o assassinato pelo telefone, com frases como “Deu certo. Deu certo. Consegui. Ele já está morto, já está morto”.
Essa situação teria levantado a suspeita da polícia de que o assassinato pode ter sido encomendado em meio a disputas pelo domínio do tráfico de drogas.
CONFIRA ABAIXO A NOTÍCIA OFICIAL DO MPMS
A Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou, nesta quinta-feira (3), a Operação Death List, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão em desfavor do investigado, em Juscimeira (MT), com apoio da Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT).
O procedimento apura a divulgação, em rede social, de listas de pessoas nominalmente identificadas e apresentadas como “decretadas” para morrer por facção criminosa, com exposição de fotografia, apelido e cidade de residência. As vítimas residiam, em sua maioria, em municípios do interior de Mato Grosso do Sul. Duas das pessoas nominadas nas publicações foram posteriormente assassinadas, uma delas juntamente com a filha, de três anos de idade.
Os fatos configuram, em tese, os crimes de favorecimento ao domínio social estruturado (art. 3º, incisos I, II e V, da Lei nº 15.358/2026 — Marco Legal do Combate ao Crime Organizado), com pena de reclusão de 12 a 20 anos e natureza hedionda, e de ameaça em contexto faccional (art. 147-C do Código Penal), sem prejuízo do crime de organização criminosa.
A identificação do responsável pelo perfil decorreu de trabalho de análise técnica da UICC, a partir de investigações no meio digital. O conjunto de elementos permitiu vincular o perfil ao investigado, apesar das sucessivas tentativas de apagamento de rastros digitais. No cumprimento dos mandados foram apreendidos aparelhos celulares, que serão submetidos à extração e análise forense, com observância da cadeia de custódia.
A atuação integra a estratégia institucional do MPMS de combate às organizações criminosas no ambiente digital, onde a exibição de poder territorial e a intimidação de rivais migraram para as redes sociais.
O Ministério Público orienta a população a não compartilhar publicações dessa natureza, ainda que a título de alerta, e a comunicar imediatamente às autoridades a existência de conteúdos que exponham pessoas a risco de morte. Denúncias podem ser encaminhadas pela Ouvidoria do MPMS (https://ouvidoria.mpms.mp.br/) e aos demais órgãos de segurança pública.
Texto: UICC
Revisão: Danielle Valentim
Foto: Divulgação

