CORRUPÇÃO: depoimento de Jaques Wagner à PF é adiado a pedido da defesa

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Problemas técnicos inviabilizaram acesso ao material investigativo

Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil – Publicado em 07/08/2026 às 10h39

O depoimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) à Polícia Federal, previsto para esta sexta-feira (7), foi adiado após pedido da defesa. De acordo com o advogado do senador, Pablo Domingues, problemas técnicos teriam impedido o acesso integral ao conteúdo da investigação.

O parlamentar, portanto, só prestará esclarecimentos após conhecer os elementos reunidos no inquérito.

A investigação, conduzida no âmbito da Operação Compliance Zero, apura a relação do senador com o empresário Augusto Lima, apontado pelos investigadores como um dos elos entre Wagner e o caso Banco Master.

A PF apura também suspeitas de vantagens indevidas e possíveis vínculos entre pessoas do entorno do senador e empresas relacionadas ao caso.

“O pedido de adiamento decorre exclusivamente do fato de ainda não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês”, informou o advogado de defesa do senador.

A defesa sustenta que Jaques Wagner pretende depor, mas apenas após ter acesso ao que efetivamente está sendo investigado.

Intimado pela PF em 21 de julho, o parlamentar nega irregularidades. Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele também foi alvo de buscas e de medida de restrição de atividades econômicas.

Acusações e Suspeitas da Polícia Federal

A investigação aponta que o senador teria atuado politicamente no Congresso Nacional para beneficiar interesses do grupo financeiro em troca de repasses e benefícios econômicos. Os principais pontos levantados contra ele incluem:
  • Vantagens Imobiliárias e Financeiras: Suspeita de recebimento de um apartamento de luxo em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, supostamente pago por meio de um ex-sócio do banco. [1, 2]
  • Repasses Familiares: Indícios de repasses de R$ 3,5 milhões destinados a uma empresa ligada a familiares do parlamentar. [1, 2]
  • Mimos e Viagens: Apuração sobre o uso de aeronaves particulares (jatinhos) e o custeio de ingressos de alto valor para um show internacional no exterior. [1, 2]
  • Atuação Parlamentar: Suspeita de interferência em pautas de interesse do banco, como regras sobre crédito consignado e alterações nos limites de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). [1, 2]
Defesa e Desdobramentos
  • Negação de Irregularidades: A defesa de Jaques Wagner nega todas as acusações e afirma que ele é inocente. O senador declarou confiar que as investigações vão esclarecer os fatos. [1, 2]
  • Investigação no STF: O inquérito tramita sob a relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal, e o parlamentar tem optado por se manifestar formalmente nos autos do processo. [1, 2, 3]
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