Reportagem exclusiva do Dourados News está apontando um grave problema no setor da Saúde da segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul: está fantando sangue no Hemosul de Dourados. Com estoques em situação crítica nos tipos sanguíneos que possuem maior demanda em procedimentos hospitalares, a falta de doações de sangue tem provocado até mesmo o cancelamento de cirurgias em Dourados, segundo o próprio Hemosul.
“O positivo e O negativo, está muito crítico. O positivo porque a maioria da população é O positivo, e o O negativo porque é ele que é usado nas urgências e emergências. E vocês têm visto que tem acontecido muitos acidentes, muitas doenças cardíacas, muitas cirurgias, e tudo isso precisa de sangue”, explica Márcia Tinós, gerente do Hemosul de Dourados.
“Está acontecendo de ter que cancelar cirurgia por falta de sangue”, alerta a gerente. “Não sei te dizer quantas cirurgias foram canceladas, mas tem acontecido. Toda semana praticamente está acontecendo, então a gente precisa se organizar, a gente precisa manter esse estoque, então as pessoas tem que sensibilizar, tem que vir realizar sua doação, pensando que ela está fazendo o bem, sem saber a quem”, complementa.
Márcia Tinós, gerente do Hemosul de Dourados. Foto: Clara Medeiros / Dourados News.
Ela explica que a quantidade de sangue necessária para uma cirurgia depende do tipo de procedimento. Algumas utilizam duas bolsas, outras muito mais, como é o caso das cardíacas que podem utilizar até dez bolsas.
Além disso, tem as plaquetas que são destinadas a pacientes oncológicos ou em casos de hemorragia, por exemplo. “É bastante importante, porque cada doador produz uma única plaqueta, e cada paciente utiliza de 8 a 10 plaquetas. Teria que ser de 8 a 10 doadores para suprir a demanda da plaqueta”, pontua.
A plaqueta é um dos hemocomponentes separados após a coleta de sangue do doador e o que tem a validade mais curta, pode ser conservado por apenas cinco dias. O concentrado de hemácias pode ficar até 42 dias reservado, sendo o plasma e o crioprecipitado os únicos que podem permanecer até um ano congelados.
APELO AOS DOADORES
Segundo Márcia, para manter o estoque equilibrado a média que deveria ser de 1,2 mil doações mensais, no entanto, não chega a 750. O cenário que se tornou ainda mais preocupante em maio, se agravou em junho. O Hemosul que costuma atender uma média de 50 doadores por dia de coleta, não está recebendo nem 20.
Os estoques esse ano já vinham sendo impactados pela epidemia de Febre Chikungunya que inviabiliza a colaboração do doador, além da necessidade de aguardar 15 dias após tomar a vacina contra a doença para fazer a coleta. Isso se somou ao aumento de casos de síndrome respiratória, à chegada do frio e a proximidade das férias escolares que historicamente já afastam os voluntários nessa época.
Além disso, tem aqueles que passaram a utilizar as chamadas ‘canetas emagrecedoras’. Quem iniciou o tratamento ou trocou a dose, precisa aguardar 15 dias para fazer a doação, depois disso pode ir regularmente.
A gerente ainda alerta que existem aqueles que estão aptos, mas costumam dizer que não contribuem por falta de tempo. “Essas pessoas deveriam pensar que, para elas, é algum período que vão ficar aqui e para quem elas vão salvar é uma vida inteira”, pontua.
Uma única doação pode salvar até quatro vidas, já que o sangue é separado em hemocomponentes . Foto: Clara Medeiros / Dourados News.
DOAÇÃO COMO ESTILO DE VIDA
As mulheres podem fazer até três doações no período de 12 meses e os homens até quatro. No entanto, aquelas pessoas que tem na doação de sangue um estilo de vida, estão envelhecendo em proporção maior do que os que tem compromisso frequente com essa ação voluntária.
Isso faz com que um dos principais desafios da atualidade, seja conscientizar especialmente os mais jovens a se engajar nas campanhas, já que é possível começar a ser doador na adolescência, desde que compareça ao Hemosul acompanhado dos pais ou responsáveis.
A idade de quem pode doar é entre 16 e 60 anos, sendo que quem doou pelo menos uma vez na vida quando estava dentro dessa faixa etária, pode continuar colaborando até os 69 anos. Também é preciso pesar mais de 51 kg.
No dia da coleta, é essencial estar bem alimentado, em bom estado de saúde, ter dormido bem a noite e não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 12 horas. Todos passam por uma triagem.
JUNHO VERMELHO
O quadro histórico de queda de doações nessa época, especialmente por conta do frio e das férias, levou à criação da campanha Junho Vermelho que também faz referência ao Dia Mundial do Doador de Sangue (14 de junho). Como este ano a data vai cair em um domingo, as ações voltadas aos doadores acontecem em dias diferentes.
No sábado, dia 13, haverá campanha externa na Policlínica Conesul, unidade que integra a estrutura do HRD (Hospital Regional de Dourados), localizada às margens do km 37 da rodovia BR-463, na saída para Ponta Porã. Essa ação será das 7h30 às 12h, aberta ao público.
Já a segunda-feira, dia 15, será dedicada às comemorações do Dia Mundial do Doador de Sangue, com atendimento às 7h às 15h30 e programação diferenciada para aguardar os voluntários na sede do Hemosul. “Nesse dia nós teremos mimos para os nossos doadores, porque são nossos verdadeiros heróis anônimos”, finaliza Márcia.
A instituição está localizada na Rua Oliveira Marques, nº 2535, no Jardim Tropical, próximo ao Hospital da Vida.

