Câmeras de segurança mostram o suspeito sendo baleado enquanto fugia após abordagem policial; policiais afirmam que vítima estava com faca no calção
Apesar de as câmeras terem flagrado Wellington dos Santos Vieira, de 27 anos, correndo e sendo atingido pelas costas, os policiais militares que atuaram na abordagem relatam que ele teria sacado uma faca da cintura. A abordagem, que terminou em morte, ocorreu na madrugada de terça-feira (31), em Anastácio, a 123 km de Campo Grande, informa o Midia Max.
Conforme o boletim de ocorrência, no momento da abordagem e da voz de parada, Wellington, que estava com um mandado de prisão em aberto, teria sacado uma faca que estava em seu calção e investido contra um integrante da equipe.
Imagens de câmeras de segurança divulgadas pelos sites Campo Grande News e Jornal Midiamax registraram o exato momento em que o suspeito de envolvimento no homicídio de Maria Clair Luzini e Vilson Fernandes Cabral foi atingido de costas.
A Polícia Militar também afirma que, após ser baleado, o suspeito foi imediatamente desarmado e que a equipe constatou sinais vitais, tentando acionar socorro médico via rádio. Nas imagens, os policiais aparecem caminhando de um lado para o outro após os disparos.
Familiares teriam presenciado toda a cena pela janela. A mãe do jovem, segundo relato, gritava desesperada. Os policiais mandaram que todos entrassem na residência. Pouco depois, uma viatura se aproximou e dois militares colocaram o corpo no veículo. Durante o procedimento, a cabeça do rapaz bateu com força no chão. Ele foi colocado no camburão e levado ao hospital, onde teve sua morte confirmada.
População
Nas redes sociais a população saiu em defesa dos policias. “Tinha que receber uma promoção”, comentou uma pessoa.
“E o suspeito não agiu com violência contra as vítimas?”; “Esses policiais tem que ganhar é medalhas pelo belo serviço prestado a população, parabéns”; “Parabéns aos policiais”; “Parabéns a PMMS este CPF não ceifara mais nenhuma pessoa”.
VEJA O VÍDEO:
INÍCIO DOS HOMICÍDIOS
Maria de Fátima Luzni Fernandes, de 26 anos, foi presa por suspeita de envolvimento na morte de três pessoas, entre elas, o casal encontrado morto em Anastácio. A mulher é filha de Maria Clair Luzini, morta com o companheiro na residência em que moravam. Ela é suspeita de planejar o crime e contratar outras pessoas para cometer as execuções. Além disso, Maria estaria envolvida na morte de David Vareiro Machado, morto na sexta-feira (27).
Conforme informações policiais, David estaria envolvido diretamente no assassinato do casal. O homem foi assassinado na sexta (27) após cobrar Maria pelo pagamento do crime. Além de David, outro homem, Wellington dos Santos Vieira, também teve envolvimento com a execução do casal.
O marido de Maria, Wendebrson Haly Matos da Silva, é suspeito de participar no assassinato de David. Há indícios de ele ser um dos mandantes da execução do casal encontrado morto em Anastácio.
Afastamento de policiais
Após a morte de Wellington dos Santos Vieira, e segundo a PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) os policiais da Força Tática envolvidos na ocorrência serão afastados. A instituição informou que os militares agiram com “excesso” e que as condutas serão responsabilizadas.
Questionada sobre a conduta dos agentes envolvidos no caso, a PMMS informou, em nota, que ambos foram afastados de suas funções e que instaurou procedimento administrativo para apuração dos fatos.
Confira a nota na íntegra:
“A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) informa que tomou conhecimento de vídeo, na cidade de Anastácio/MS, envolvendo policiais militares em atuação operacional, e enfatiza que eventuais excessos não refletem o padrão de atuação dos nossos homens e mulheres, que trabalham diuturnamente em todos os 79 municípios do estado, buscando sempre garantir a segurança da população sul-mato-grossense.
Ressaltamos que a Instituição não coaduna com desvios de conduta ou procedimentos que extrapolem os limites operacionais estabelecidos em nossas doutrinas e diretrizes.
Assim que tomou conhecimento, a PMMS por intermédio do 7º BPM e de sua Corregedoria-Geral, já identificou os militares envolvidos, que foram prontamente afastados de suas funções, e instaurou o procedimento administrativo cabível para apuração dos fatos e responsabilização das condutas, com posterior aplicação das sanções consideradas cabíveis.
A Polícia Militar permanece à disposição da sociedade, reafirmando que ações individuais não podem refletir no respaldo do trabalho cotidiano realizado pela nossa tropa.“

