O deputado federal Glauber Braga (PSol-RJ) permanece em greve de fome na sala do colegiado da Câmara dos Deputados desde a última quarta-feira (9/4), em protesto contra a cassação de seu mandato aprovada, por 13 votos a 5, pelo Conselho de Ética daquela Casa Legislativa. Ele está acompanhado por alguns funcionários e militantes, recebendo visitas eventuais de colegas de bancada.
Agentes da Polícia Legislativa estão na porta o tempo inteiro, permitindo a entrada da imprensa a cada hora, para fazer imagens. Alguns deputados de esquerda que ficarão em Brasília neste fim de semana prometeram visitá-lo. O parlamentar diz que permanecerá desta forma até a sua situação ser resolvida.
O caso
A cassação de Glauber Braga aprovada pelo Conselho de Ética da Câmra dos Deputados ocorreu na análise de representação apresentada em abril do ano passado pelo partido Novo. O parlamentar é acusado de empurrar e expulsar um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) do Congresso Nacional em abril de 2024 e ameaçar agredi-lo caso ele tentasse entrar novamente no recinto.
Uma representação contra o parlamentar foi apresentada ainda em abril passado pelo partido Novo. A legenda argumentou à época que Glauber ameaçou agredir o integrante do MBL caso ele tentasse entrar novamente no anexo.
Na ocasião, Glauber e o influenciador identificado como Gabriel Costenaro discutiram dentro da Câmara. O deputado expulsou Costenaro do prédio com empurrões e chutes, com a confusão se arrastando até a rua.
Em sua defesa, Glauber Braga disse que o influenciador estava o perseguindo há vários dias, em todos os lugares por onde o parlamentar passava, inclusive nos corredores do Congresso Nacional. No dia da agressão, o influenciador teria xingado a mãe do deputado, que estava doente e acabou falecendo oito dias depois.
Desdobramentos
O grupo de parlamentares denominado “Centrão” resiste a seguir com a punição ao parlamentar. Lideranças desse grupo político apontam uma série de “erros” que levaram o colega à atual situação, mas afirmam que estariam dispostos a abandonar a ofensiva contra o psolista caso ele faça um gesto ao Congresso.
Com o pedido de cassação aprovado no Conselho de Ética, uma eventual perda do mandato de Glauber Braga ainda precisaria ser analisada no plenário. Os líderes do Centrão não estariam dispostos a cassá-lo, pois possuem uma resistência natural a tomar medidas contrárias aos pares. O temor é abrir precedentes contra mais congressistas.
Integrantes do Centrão apontam que as brigas públicas de Glauber com o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), isoladamente não causariam a cassação. O problema foi o isolamento do deputado com os demais campos políticos da Casa. Reclamam que, por vezes, também eram alvo de acusações sem provas por parte do colega. (Com informações do site Metrópoles)
Segundo essas lideranças, não havia clima no plenário da Câmara para confirmar uma eventual cassação pelo Conselho de Ética. Mas as falas generalizadas sobre o Orçamento Secreto e a acusação de que o relator do processo na comissão, o deputado Paulo Magalhães (União-BA), teria vendido seu parecer, pesaram contra Glauber.
Agora, os líderes do Centrão cobram um gesto, e citam desde um pedido de desculpas a uma sinalização de bandeira branca, mesmo que nos bastidores, como alternativas. Um dos motivos para a denúncia ao Conselho de Ética foi uma briga com o também deputado Kim Kataguiri (União-SP). Os caciques da Casa afirmam que não desejam que o atual clima no Congresso continue. O parlamentar do PSol anunciou que faria greve de fome e não deixaria a sede do Legislativo até a conclusão da análise da sua denúncia.

