Pilotos devem apontar o nariz do avião para uma direção magnética específica
Recentemente, o crescimento e divisão de uma região anômala no campo magnético do planeta Terra em uma região situada sobre o Brasil deixou os cientistas em alerta. Denominada Amas (Anomalia Magnética do Atlântico Sul), ela se estende das regiões Sul e Sudeste do Brasil até o continente africano.
Essa anomalia é observada de perto justamente por ser uma região onde a intensidade do campo magnético está ficando menor. Como isso pode afetar a aviação?
Aviões usam bússolas até hoje
Os aviões mais modernos e quase todos usados na aviação comercial utilizam bússolas, que se orientam pelo magnetismo da Terra. Na verdade, esse dispositivo é usado como alternativa caso o sistema de navegação por GPS (Sistema de Posicionamento Global) falhe.
Ainda, próximo ao pouso, ao voar manualmente, ou seja, sem o auxílio de instrumentos, os pilotos devem apontar o nariz do avião para uma direção magnética específica para se manterem alinhados com a pista. Por isso esse instrumento ainda é tão importante para as aeronaves.

Imagem: Airbus
Aviões podem ser afetados?
De acordo com Daniele Brandt, professora do IAG-USP (Instituto de Geofísica, Astronomia e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo), essa anomalia não coloca os voos em risco. Ocorre que o campo magnético tem três dimensões: inclinação, declinação e intensidade.
A inclinação pode ser para cima ou para baixo em relação ao solo. A intensidade é o quão forte ou fraco esse fenômeno se manifesta, e é justamente nesse aspecto que a anomalia está.
Daniele esclarece que o campo magnético da Terra não se manifesta de maneira uniforme. “A Amas diz respeito a uma região na superfície do nosso planeta onde observamos a intensidade do campo geomagnético mais fraca do que o esperado por um campo dipolar”, diz a especialista.
Isso é esperado, já que o magnetismo do planeta muda constantemente. O núcleo do planeta é formado por metais, principalmente ferro e níquel em altas pressão e temperatura, segundo Daniele.
“O campo magnético da Terra não é estático, ele varia com o passar dos anos. Isso porque o campo é gerado nas profundezas do nosso planeta e a fonte que o gera é um material metálico em estado líquido que compõe o núcleo externo e está em constante movimento”, diz a professora da USP. Essa movimentação ocorre, principalmente, pelas diferenças de temperatura e composição entre a base e o topo do núcleo externo (movimento de convecção) e pela rotação do planeta.
“Com o passar dos anos, o campo geomagnético vai mudando, os polos geomagnéticos vão se deslocando, assim como a declinação, a inclinação e a intensidade em um determinado local também vão sendo alteradas no tempo”, diz Daniele.(UOL).

