Mãe e feto morrem em Paranhos; acusação é de demora por socorro médico

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A Grande Assembleia das Mulheres Kaiowá e Guarani (Kuñangue Aty Guasu) divulgou, em redes sociais, um post acusando negligência da SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena) Pólo de Paranhos (município do Extremo Sul de Mato Grosso do Sul), devido à morte da paciente Lalinda Duram, 37 anos, e o feto dela, ocorridos no último dia 14 de junho.

 

Na acusação a Kuñangue Aty Guasu apresentou um “relatório” visando consubstanciar as denúncias de falta de atendimento que resultaram na morte materna e fetal, afirmando que na madrugada do dia 14 de junho uma pessoa de nome “Fátima, se deslocou à residência da gestante Lalinda Duram, e às 3h14 horas ligou para plantonista da SESAI, Pólo de Paranhos, mas não obteve êxito, mesmo assim continuou a tentativa de ligação por cinco vezes sem sucesso. Diante disso no desespero a mesma tentou entrar em contato com enfermeiro chefe Sidney às 3h17 e, às 3h19 também não obteve resposta. E assim continuou buscando ajuda e mandou, às 3h21, mensagem no grupo dos funcionários da saúde indígena da aldeia Potrero e também não teve resposta”.

 

“Como não teve resposta dos plantonistas e nem nos grupos de agente de saúde pública, a mesma ligou diretamente para o Hospital, sendo atendida pela recepcionista que explicou que só poderiam liberar a ambulância com a anuência da equipe da SESAI, tendo passado o número de celular do plantonista da Sesai para a recepcionista, que também não obteve êxito.

Com fracasso na tentativa de buscar socorro, Fátima pediu ao seu companheiro para levar a paciente ao hospital de carro particular e, ao chegarem no hospital às 4h20 horas foram atendidas pela equipe de plantão, porém, 7 minutos depois, exatamente às 4h27 horas da manhã o médico, Dr. Pablo comunicou que a paciente já estava morta”.

 

Diante dos fatos narrados, a entidade representante das mulheres indígenas, a Kuñangue Aty Guasu está solicitando aos órgãos competentes, o SESAI Brasília e ao Comitê Estadual de Saúde Materna Infantil, a apuração dos fatos.

 

A reportagem do Panorama do MS confirmou a existência de Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de Paranhos, onde o companheiro da vítima, Rozalino Chamorro, registrou os fatos na manhã do dia 14-06. Por cautela, e no cumprimento do dever legal, o médico legista da PC fez autópsia, porém, não encontrou no corpo nenhuma marca de violência externa na paciente, podendo considerar que ocorreu “morte natural”.

 

Informações dão conta de que o Subsecretário de Políticas Públicas para as Minorias, indigenista Fernando de Souza, está acompanhando o caso e, no dia de hoje (21-06), estaria em reunião com lideranças da Sesai para encaminhamento de providências.

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