Ela volta ao País para lançar “Jornal de Bordo: Brasil 2021”, sua 13ª publicação, um retrato pessoal da pandemia e da brasilidade por meio da poesia em prosa
Com informações publicada pelo Correio do Estado, após lançamentos e palestras em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a jornalista e escritora sul-mato-grossense Mazé Torquato Chotil está, mais uma vez, de volta à sua terra natal para o lançamento de “Jornal de Bordo: Brasil 2021” (Editora Penalux, 2023, 80 páginas, R$ 42), seu 13º livro, no qual propõe, entre envolvimento e distanciamento, uma espécie de retrato íntimo – quase imediato – do País nos momentos mais sufocantes da pandemia de Covid-19.

Mazé chegou a Mato Grosso do Sul depois de marcar presença em uma série de eventos, vários deles em São Paulo, desde o início do mês, para divulgar o novo trabalho.
Na próxima semana haverá dois eventos de lançamento em Campo Grande, um na quarta-feira (24), às 19h, no Sesc Cultura (Av. Afonso Pena, nº 2.270, Centro), e outro na quinta-feira (25), no mesmo horário, na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (Rua 14 de Julho, nº 4.653, Altos do São Francisco), onde a escritora realizará uma palestra sobre a literatura brasileira na França.
Autora de biografias, ensaios e romances, Mazé exercita na nova publicação a poesia em prosa, a fim de revisitar, desde Paris, na França, onde reside desde os anos 1980, as agruras enfrentadas pelos brasileiros – e por si mesma –, quando as máscaras faciais, as vacinas e o álcool em gel estavam, mais do que nunca, na ordem do dia.
Talvez esses itens devessem permanecer por mais tempo na pauta. A espiral de mortes não para de crescer, e mais de 702 mil pessoas já perderam a vida em território nacional em decorrência da Covid-19. Segundo dados mais recentes informados pelo Ministério da Saúde, foram registradas 283 mortes e 23.950 novos casos de Covid-19 na primeira semana de maio.
REDESCOBERTA
O “Jornal de Bordo” de Mazé é marcado, conforme descreve, pela “intensidade de um olhar expatriado”, um desfilar de versos que ressaltam para o leitor todos os horrores e as dificuldades do segundo ano de pandemia, mas que também lançam nova luz sobre a “nossa brasilidade”, uma releitura da realidade brasileira por quem tem a chance de olhar o País de fora.
“Uma das propostas do meu livro é essa, de ver o Brasil após a pandemia. Uma viagem de redescoberta do País dois anos depois da minha última estadia”, diz a autora.
Por meio de sua poesia, a jornalista e escritora expõe vários sentimentos aos textualizar sobre seus encontros e redescobertas diante do País onde nasceu e cresceu. “Eu vejo um Brasil múltiplo”, prossegue, “com seus pontos positivos e negativos. Um país visto por olhos ‘novos’, com suas contradições e possibilidades”.
ORELHA
Assinado pelo também jornalista e escritor Rafael Belo, o texto de orelha apresenta o livro da seguinte maneira: “Olhar o olhar de Mazé é como assistir a um filme real, ao vivo, de tudo que passamos sem passar panos ou amenizar. […] Nesses reflexos e reflexões, as partidas ainda doem. […] Saber da morte, ouvi-la e o restante, tudo de longe, distante para evitar o contágio, parece, ainda hoje, fazer o oposto”.
“É neste encontro diário que somos abordados a bordo e bordados no ponto mais extremo dos lugares, deixando que cada um de nós sinta frio. Frio na barriga, na pele da decisão. Nada vai esquentar se não deixarmos o sol entrar em ação diante da nossa paralisia, é hora da terapia, sentar e sair desta orelha de livro para entrar de vez neste ‘Jornal de Bordo’”, apresenta.
A AUTORA
Jornalista e escritora, Mazé Torquato Chotil é nascida no interior de MS, em Glória de Dourados. Morou em Osasco (SP) por mais de 10 anos e vive em Paris desde 1985, onde desenvolve atividades culturais.
Doutora em Ciências da Informação e da Comunicação (Université Paris 8), além de pós-doutora pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, Mazé tem 12 livros publicados, cinco deles em francês.
Desses, destacam-se “Na Sombra do Ipê”, “Nascentes Vivas para os Povos Guarani, Kaiowá e Terena”, “Na Rota de Traficantes de Obras de Arte”, “Maria D’Appparecida: Negroluminosa Voz”, “José Ibrahim: O Líder da Grande Greve que Afrontou a Ditadura”, “Lembranças do Sítio” e “Lembranças da Vila”.
ÚLTIMOS LANÇAMENTOS
No ano passado, a escritora esteve no País, inclusive em solo sul-mato-grossense, para o lançamento de “Na Sombra do Ipê” (Editora Patuá, 2022, R$ 45), que narra uma história de “câncer, amizade, tempo que passa e amor à vida, situados em dois universos: Paris, onde reside, e lugares de Mato Grosso do Sul, onde a autora nasceu”, descreve a sinopse.
Também no ano passado, foi publicada a edição francesa de “Lembranças do Sítio”, que, no mesmo idioma do escritor Honoré de Balzac, tornou-se “Mon Enfance dans le Mato Grosso” (Le Poisson Volant Éditeur, 2022), sob a tradução do poeta Dominique Stoenesco.
“Memórias reais ou inventadas? Não importa. A poesia que exala das páginas de terra molhada e florestas grandiosas respondem todas as perguntas. A menina que nos conta sua vida em episódios, fragmentos, como se inventa a vida de uma boneca, é engraçada. Emocionante. Ela nos mostra um Brasil de antes, que quer manter em sua memória. Com esses contos, essas fábulas, essas histórias, Mazé nos leva até sua casa, que também será, em breve, a nossa”, apresenta a obra.
Edição: Pedro Mantovani

