NAVIRAÍ E AQUIDAUANA: dengue mata mais duas pessoas em MS. Estado chega a 20 mil casos

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A dengue apresenta um comportamento sazonal em todo o país, ocorrendo principalmente entre os meses de outubro a maio

CORREIO DO ESTADO

Em novo boletim, divulgado na última sexta-feira (5), a Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou mais dois óbitos por dengue em Mato Grosso do Sul. As vítimas são idosos, de 69 e 90 anos, que residiam nos municípios de Aquidauana e Naviraí.

Nos primeiros quatro meses deste ano, o Estado já soma 19 óbitos por dengue. Ao todo, 20.160 casos da doença já foram confirmados, número que se aproxima do total registrado em todo o ano de 2022, e já supera o ano de 2021.

Os óbitos deste ano foram registrados nos municípios de Três Lagoas (6), Aquidauana (2), Campo Grande (2), Dourados (2), Amambai (1), Brasilândia (1), Guia Lopes da Laguna (1), Ivinhema (1), Laguna Carapã (1), Naviraí (1) e Ribas do Rio Pardo (1).

 

Reprodução: SES

 

Se analisarmos, o número de óbitos nestes primeiros quatro meses já equivale a 79% dos óbitos de 2022, ano em que 24 pessoas morreram por dengue. Se compararmos com 2021, ano em que 14 morreram, o número de mortes já é 35,7% maior.

O mesmo se observa em relação ao número de casos confirmados. Em 2021, foram 8.027, e em 2022, 21.328.

Em Mato Grosso do Sul, as campanhas de conscientização contra a dengue só foram lançadas em 27 de janeiro. No Brasil apenas na última semana, mais precisamente no dia 4 de maio, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Brasil unido contra a dengue, Zika e chikungunya”.

A demora para o início das campanhas de prevenção foi um dos fatores que atrapalhou o combate da doença, como explica a infectologista Mariana Croda.

“O início da campanha foi tarde, considerando que muitos estados já viveram um período de alta incidência da doença e considerando a sazonalidade”, explicou.

A dengue apresenta um comportamento sazonal em todo o país, ocorrendo principalmente entre os meses de outubro a maio. Dessa forma, teoricamente, deveria ser ainda mais fácil de monitorar indicadores e detectar a vulnerabilidade para ocorrência da doença.

O recomendado seria que as autoridades de saúde estivessem realizando campanhas e combatendo os focos do Aedes aegypti desde o início da sazonalidade, entre os meses de outubro e novembro.

No entanto, a campanha estadual só teve início no fim de janeiro, e a nacional no início de maio.

Segundo a infectologista, a campanha só não começou tarde se formos analizar a série histórica de 2022, ano em que o “boom” da doença aconteceu no mês de maio.

Agora, para “correr atrás do prejuízo”, o ideal é que o Estado e os municípios se dediquem a combater o mosquito, que além de dengue é o vetor da Zika e da chikungunya, para controlar o aumento no número de infectados.

“O controle do vetor, o mosquito, segue sendo a medida mais eficaz. Todavia, ela requer um esforço  conjunto como urbanização,  esgoto, saneamento mas também medidas individuais de monitoramento de criadouros. Por isso é tão difícil o controle”, afirmou.

Além disso, Croda reforça que neste momento, onde já se estabeleceu um grande número de casos, é importante adotar medidas para reduzir a mortalidade, como o acesso a saúde e exames.

Campanha Nacional

Diante do aumento de casos de dengue, chikungunya e Zika, o Ministério da Saúde lançou campanha nacional para o combate das arboviroses. Com a mensagem “Brasil unido contra a dengue, Zika e chikungunya”, a mobilização alerta sobre os sinais e os sintomas das doenças, além de formas de prevenção e controle do mosquito Aedes Aegypti. A campanha será veiculada a partir desta quinta-feira (4), na TV aberta e segmentada, rádio, internet, carros de som e em locais de grande circulação de pessoas em todas as regiões do país.

O alerta por meio da campanha é complementar às medidas de reforço que vêm sendo adotadas pelo Ministério da Saúde para prevenção e controle das doenças, bem como para garantia da assistência à população. “A ideia da campanha de comunicação é alertar que, quanto mais rápido você identificar os sinais e sintomas e buscar o serviço de saúde, mais rápido teremos o diagnóstico e vamos conseguir ter um desfecho adequado de redução dos óbitos”, reforçou a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel.

A secretária do Ministério da Saúde explicou que estudos científicos estão sendo usados para entender que os problemas não são os mesmos, portanto, as soluções precisam ser diferentes, com novas tecnologias. “Esse tema parece esquecido, algo que ninguém está falando, principalmente depois de uma pandemia, onde as pessoas estão cansadas de se preocupar com tantos riscos à saúde, mas a gente precisa lembrar que, infelizmente, temos essas três doenças que estão levando ao óbito no Brasil. Nossas ações estão sendo pensadas e direcionadas”, acrescentou.

Foi instalado, em março deste ano, o Centro de Operações de Emergência (COE Arboviroses) para maior monitoramento do cenário epidemiológico e das diferentes realidades em cada estado. Desde então, oito estados já receberam visitas de campo da equipe do COE – Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Tocantins, Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina e Bahia – para auxiliar na estratégia local. O Ministério da Saúde atuou, ainda, na distribuição de larvicidas e envio de mais de 300 mil kits laboratoriais para o diagnóstico da doença.

Atualmente a Pasta disponibiliza quatro tipos de insumos para o controle vetorial do Aedes. Em 2023, foram investidos mais de R$ 84 milhões na compra desses produtos. Popularmente conhecido como fumacê – um dos inseticidas usado no controle do mosquito na forma adulta – será distribuído nas próximas semanas após atraso no fornecimento causado por problemas na aquisição pela gestão passada. A expectativa é que o Ministério da Saúde receba cerca de 275 mil litros do produto neste mês, normalizando o envio aos estados e Distrito Federal.

O COE é composto por técnicos de secretarias do Ministério da Saúde, além da Anvisa, Fiocruz, IEC, Organização Pan-Americana de Saúde, CONASS e Conasems. A medida permitiu análise minuciosa dos dados e das informações para subsidiar a tomada de decisão e definição de estratégias e ações adequadas e oportunas para o apoio aos estados e municípios para o enfrentamento dos casos.

Situação epidemiológica no Brasil

Em 2023, até o final de abril, houve aumento de 30% no número de casos prováveis de dengue em comparação com o mesmo período de 2022 em todo Brasil. As ocorrências passaram de 690,8 mil casos, no ano passado, para 899,5 mil neste ano, com 333 óbitos confirmados.

Fatores como a variação climática e aumento das chuvas no período em todo o país, o grande número de pessoas suscetíveis às doenças e a mudança na circulação de sorotipo do vírus são fatores que podem ter contribuído para esse crescimento. Os estados com maior incidência de dengue são: Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Acre e Rondônia.

Já em relação à chikungunya, no mesmo período, foram notificados 86,9 mil casos da doença, com taxa de incidência de 40,7 casos por 100 mil habitantes no país. Quando comparado com o mesmo período de 2022, ocorreu um aumento de 40%. Neste ano, foram 19 óbitos confirmados. As maiores incidências da doença estão no Tocantins, Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.

Em relação aos dados de Zika, até o final de abril, foram notificados 6,2 mil casos da doença, com taxa de incidência de 3 casos por 100 mil habitantes no país. Houve um aumento de 289% quando comparado ao mesmo período de 2022, quando 1,6 mil ocorrências da doença foram notificadas. Até o momento, não houve óbito por Zika.

Sintomas e prevenção

Os sintomas de dengue, chikungunya ou Zika são semelhantes. Eles incluem febre de início abrupto acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele, manchas vermelhas pelo corpo, além de náuseas, vômitos e dores abdominais.

A orientação do Ministério da Saúde é para que a população procure o serviço de saúde mais próximo de sua residência assim que surgirem os primeiros sintomas.

A prevenção é a melhor forma de combater a doença. Evitar acúmulo de inservíveis, não estocar pneus em áreas descobertas, não acumular água em lajes ou calhas, colocar areia nos vasos de planta e cobrir bem tonéis e caixas d’água, receber a visita do agente de saúde, são algumas iniciativas básicas. Todo local de água parada deve ser eliminado, pois é lá que o mosquito transmissor, o Aedes aegypti, coloca os seus ovos.

Edição: Pedro Mantovani

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