Ex-deputado Roberto Jefferson está preso em Benfica

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Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

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O ex-deputado federal Roberto Jefferson está preso no Presídio José Frederico Marques, também conhecido como cadeia de Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro. O ex-parlamentar, que estava em prisão domiciliar, teve que retornar ao sistema penitenciário por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro do STF Alexandre de Moraes decidiu que Jefferson deveria voltar à prisão preventiva pelo descumprimento de medidas cautelares impostas, como não postar nas redes sociais. Na última sexta-feira (21), em vídeo publicado na internet, Jefferson atacou a ministra Cármen Lúcia, referindo-se a ela com palavras grosseiras.

Durante o cumprimento da decisão do STF ontem (23), na casa de Jefferson, em Levy Gasparian, no interior do estado, o ex-parlamentar reagiu à prisão, lançando uma granada e atirando contra a equipe da Polícia Federal (PF).

Dois policiais foram atingidos por estilhaços da granada lançada por Jefferson e tiveram ferimentos leves.

O mandado de prisão só foi concluído à noite, depois de uma intensa negociação entre a PF e o ex-deputado. Além do cumprimento do mandado do STF, a PF prendeu Roberto Jefferson em flagrante por tentativa de homicídio, segundo nota divulgada pela polícia.

Antes de ser encaminhado à cadeia de Benfica, Jefferson foi levado inicialmente à Superintendência da PF no Rio de Janeiro para a lavratura do auto de prisão em flagrante e outras formalidades referentes ao cumprimento do mandado de prisão.

“A Polícia Federal reafirma que agiu com toda a técnica e protocolos exigidos para a resolução de crises, culminando com a rendição do preso”, informa nota da PF.

Segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária do Rio (Seap), Roberto Jefferson participará, ainda hoje, de uma audiência de custódia.

O ministro Alexandre de Moraes publicou, na noite de ontem, uma nota em seu perfil no Twitter em que se solidariza com os policiais feridos. “Parabéns pelo competente e profissional trabalho da Polícia Federal, orgulho de todos nós brasileiros e brasileiras. Inadmissível qualquer agressão contra os policiais. Me solidarizo com a agente Karina Oliveira e com o delegado Marcelo Vilella que foram, covardemente, feridos”.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, inicialmente publicou um texto no Twitter repudiando a postura de Jefferson, em relação a Cármen Lúcia e à sua ação armada contra os policiais, mas também criticando a existência do que ele chamou de “inquéritos sem nenhum respaldo na Constituição e sem a atuação do MP”.

Mais tarde, Bolsonaro publicou um vídeo em que chama o ex-deputado de bandido. “Como determinei ao ministro da Justiça, Anderson Torres, Roberto Jefferson acaba de ser preso. O tratamento dispensado a quem atira em policial é o de bandido. Presto minha solidariedade aos policiais feridos no episódio”.

O ministro da Justiça também publicou um vídeo nas redes sociais do ministério, em que classifica a reação de Jefferson à prisão como “um grave episódio”. “Esse episódio motivou nossa vinda até aqui, à Delegacia de Juiz de Fora da Polícia Federal para acompanhar os trabalhos e para ver o desdobramento desses fatos. Realmente fatos graves que nos chamam a atenção. Nesse momento, gostaria de me solidarizar com os policiais federais machucados nesse evento. Graças a Deus, todos estão bem”, disse.

O ministro, que chama Jefferson de “infrator”, também se solidarizou com a ministra Cármen Lúcia pelos ataques verbais que ela sofreu do ex-deputado.

Também por meio das redes sociais, o candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que as ofensas contra Cármen Lúcia não podem ser aceitas por ninguém que respeita a democracia. “Criaram na sociedade uma parcela violenta. Uma máquina de destruição de valores democráticos. Isso gera o comportamento como o que vimos hoje”.

“Minha solidariedade ao delegado Marcelo Vilella e à policial Karina Lino Miranda de Oliveira, feridos quando estavam apenas exercendo seu dever. Torcendo pela rápida recuperação”, completou.

Ouça na Radioagência Nacional:

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Roberto Jefferson será transferido para Bangu 8

A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (Seap) informou que o ex-deputado federal e presidente de honra do PTB, Roberto Jefferson, será transferido para o Complexo de Gericinó, na zona oeste da capital. Ele ficará no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8. O órgão, no entanto, ainda não tem uma previsão para a realização da transferência.

A decisão foi tomada após sua prisão ser mantida na audiência de custódia realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O procedimento foi conduzido via videoconferência pelo desembargador Airton Vieira, juiz auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes. Roberto Jefferson está desde ontem (23) no Presídio José Frederico Marques, também conhecido como Cadeia de Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro.

O ex-parlamentar é réu em ação onde são investigados atos anti-democráticos. No âmbito desse processo, Roberto Jefferson esteve preso em Bangu 8 entre agosto do ano passado e janeiro deste ano. Desde então, ele estava em prisão domiciliar. Seu retorno a uma unidade penitenciária foi determinado pelo STF por descumprimento de medidas cautelares. Entre outras determinações, ele estava proibido de postar nas redes sociais. Na sexta-feira (21), em vídeo publicado na internet, Roberto Jefferson ofendeu a ministra Cármen Lúcia.

A equipe da Polícia Federal incumbida do cumprimento do mandato de prisão na manhã de ontem (23) foi surpreendida com a resistência do ex-deputado. Ao se dirigir à sua residência localizada no município de Levy Gasparian (RJ), ela foi recebida a tiros por Roberto Jefferson, que também lançou duas granadas. Dois policiais tiveram ferimentos leves. O mandado só foi cumprido oito horas depois, quando o ex-deputado se entregou após longa negociação. Pelo ataque, Roberto Jefferson foi indiciado pela PF por quatro tentativas de homicídio e poderá se tornar réu em um novo processo.

O ex-deputado também esteve preso entre 2014 e 2015, após ser condenado no julgamento do escândalo do mensalão, do qual foi posteriormente beneficiado por um indulto natalino. O decreto assinado pela então presidente Dilma Rousseff era similar aos editados por presidentes anteriores como Lula, Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco. Foi concedido perdão para condenados que já tivessem progredido para o regime aberto, que tivessem cumprido um quarto da pena e cujas penas remanescentes não fossem superiores a oito anos.

Nas eleições deste ano, o ex-deputado chegou a lançar sua candidatura a presidente da República pelo PTB, mas foi considerado inelegível. A legenda escalou Padre Kelmon para substituí-lo, que teve pouco mais de 81 mil votos, menos de 0,1% do total. No segundo turno, o PTB anunciou apoio à reeleição de Jair Bolsonaro.

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