‘A escola deveria ser um lugar seguro’, diz mãe que denunciou diretor por suspeita de assédio sexual contra a filha

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Por Rafaela Moreira, g1 MS — Mato Grosso do Sul

A escola deveria ser um lugar seguro“, esse é o relato da mãe que denunciou o diretor da escola municipal Efantina de Quadros Marcos Eduardo Carneiro, em Nova Andradina (MS), por assédio sexual contra uma a filha de 15 anos. O educador teria feito o seguinte comentário a jovem: “Com todo respeito, você está uma delícia”.

A mãe da vítima relata que descobriu as supostas mensagens após amigas ligarem avisando que o diretor da escola teria comentado em uma publicação da adolescente com mensagens de cunho sexual em uma rede social. Ao ler os comentários, a mulher ficou em choque com a situação, e procurou a polícia para realizar a denúncia.

“Aqui a cidade é pequena, começaram a me ligar dizendo que o diretor estava chamando a minha filha de delícia em uma rede social. O diretor é a nossa referência, a escola deveria ser um lugar seguro”, disse

Em uma das mensagens, o diretor teria feito o seguinte comentário: “Você mexe com a minha imaginação”. A mãe da menina relatou que o caso chocou moradores de Nova Andradina.

Ela estuda na escola desde o pré, em janeiro quando ela saiu, ele começou a mandar mensagem. Desde quando esse nojento observa a minha filha?! Estamos todos arrasados com essa situação”, disse ao g1. 

Uma das mensagens enviadas pelo diretor para a vítima: “você tem uma boca maravilhosa” — Foto:  Jornal da Nova/ Reprodução
Uma das mensagens enviadas pelo diretor para a vítima: “você tem uma boca maravilhosa” — Foto: Jornal da Nova/ Reprodução

A Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Semec) informou ao g1 que, após a denúncia, o homem foi afastado para apuração do caso.

O conteúdo apresentado à DAM inclui uma mensagem na qual o homem convida a menor para sair. “Precisamos marcar alguma coisa juntos, quando você quiser e puder”. Ainda muito abalada com a situação, a mãe da vítima relatou que pretende ir até o fim com a história para evitar que outras crianças e adolescentes passem pela mesma situação.

“Minha filha me disse chorando que não queria que outras meninas passassem por isso, isso me marcou muito. Eu confio na Justiça e espero que ele seja punido, somos todas vítimas”, disse. 

Outras mensagens do diretor e da ex-aluna, na rede social: “Peço perdão. Realmente errei”.  — Foto: Reprodução
Outras mensagens do diretor e da ex-aluna, na rede social: “Peço perdão. Realmente errei”. — Foto: Reprodução

Investigação

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Nova Andradina, instaurou inquérito civil, com objetivo de apurar eventual violação de princípios administrativos, relacionados a assédio sexual de alunas na Escola Municipal Efantina de Quadros.

Ao g1, o promotor de Justiça, Paulo Henrique Mendonça de Freitas, que está à frente das investigações, considera ato de improbidade administrativa todo aquele que atente contra os princípios da administração pública, violando os deveres de imparcialidade, legalidade e lealdade das instituições.

“Instauramos uma investigação por meio de um inquérito civil e vou acompanhar o caso que está sendo promovido na DAM. Precisamos averiguar se houve violação de princípios da administração pública, principalmente por ele ser um servidor público”.

O promotor reitera que o procedimento está sob sigilo, tendo em vista a necessidade de proteção da intimidade e da imagem das possíveis vítimas da conduta do investigado, especialmente por envolver menores de 18 anos de idade.

Procurado pelo g1, o diretor não se pronunciou até a publicação desta reportagem.

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