CORPO & SAÚDE: com três mil cirurgias bariátricas já realizadas, pacientes obesos eliminaram 9 toneladas

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Especial Saúde – Vivianne Nunes

Três mil cirurgias. Um total aproximado de nove toneladas de peso eliminadas ao longo de 22 anos de carreira como cirurgião bariátrico. Para o médico Wilson Cantero, de Campo Grande, a obesidade é considerada uma das doenças crônicas não transmissíveis responsável por 70% das mortes somente no Brasil. Segundo ele a cirurgia bariátrica deve ser sempre o último recurso para perder peso e em situações que apresentam complicações de saúde, muito além da estética.

Cantero observa uma grande mudança de comportamento alimentar nas últimas duas décadas e destaca o fim dos almoços em família, além do consumo de alimentos ultra processados e o sedentarismo, com o grande responsáveis pelos casos de excesso de peso e obesidade.

“Antigamente as pessoas saíam do trabalho e conseguiam almoçar em casa. Havia essa prática que reunia as pessoas ao redor das mesas nos lares brasileiros com uma alimentação saudável. Agora, com o dia a dia cada vez mais acelerado, os almoços em casa foram substituídos pelo corre-corre até a lanchonete da esquina onde o mais prático acaba vencendo, com dois salgados e um refrigerante. “Isso não é refeição”, enfatizou o médico que é defensor da alimentação saudável como forma de prevenção a doenças.

Capital

Campo Grande ocupa a 17ª posição no ranking do sobrepeso entre as 27 capitais do País. Os dados foram coletados e divulgados ano passado pela Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico). De acordo com o relatório apresentado, 58.14% dos adultos ouvidos pela pesquisa possuem IMC (Índice de Massa Corporal) superior a 25 quilos.

Dados apurados ainda no ano de 2020 também pela Vigitel, apontavam um crescimento exponencial nos casos de obesidade no Brasil.

De acordo com o estudo, a proporção de pessoas com obesidade e excesso de peso continua subindo, o que já é uma tendência verificada desde 2016. Ainda conforme a pesquisa, 57,5% da população adulta no Brasil está com excesso de peso e 21,5% com obesidade.

Hábitos de consumo também foram questionados durante a pesquisa, revelando que 15,2% dos adultos afirmaram que consomem refrigerantes cinco ou mais dias da semana.

O inquérito telefônico para vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis é realizado com brasileiros com mais de 18 anos e é fundamental para avaliar as políticas públicas contra doenças cardiovasculares e respiratórias, cânceres, diabetes, obesidade e outras.

O médico também destaca prática insuficiente de atividades físicas como um indicador utilizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para avaliar fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis. “Muitos abandonaram essa prática durante a pandemia, mas é imprescindível retomá-las”, finalizou Cantero.

Sonho conquistado

“A bariátrica é um sonho, mas não é fácil como todo mundo pensa”. Maiara Inês Figueiredo Macedo, 32 anos, tem 1,64 m de altura e chegou a pesar 120 quilos. Ela trabalha atualmente na cantina de uma universidade em Campo Grande e entre um intervalo e outro, atendeu a reportagem para contar sua história.

“Sempre fui gordinha e nunca gostei do meu jeito, do meu corpo. Passei por vários tratamentos com endócrino e nutricionista. Chegava a perder dez, vinte quilos e engordava outros trinta. Até que uma prima minha começou a usar sibutramina e eu também quis, mas aí ela teve uma trombose séria e eu desisti”, conta.

Há nove anos Maiara decidiu que iria fazer uma cirurgia bariátrica. Além da parte estética, ela sofria de problemas na coluna e no joelho por conta do sobrepeso. Foi quando conheceu doutor Wilson Cantero.

“Os primeiros meses são um sofrimento só por conta da comida”. Ela conta que antes da cirurgia comia compulsivamente. “Era uma pizza quase inteira, se sentasse para comer bombom era a caixa inteira. E quando eu operei tinha todas as fases, dieta líquida por trinta dias, aquele copinho de medida e aí você vê os outros comendo, dá um desespero. Eu me trancava no quarto para chorar”, lembrou.

Depois de um ano e meio, ela alcançou o objetivo que queria e chegou a pesar 54 quilos. Conseguiu fazer as cirurgias corretivas e na animação até próteses de silicone no seio ela implantou. Mesmo assim, tentava emagrecer mais e depois de trocar o ato de comer compulsivamente pela academia, se encontrou com qualidade de vida e uma autoestima renovada.

Nessa altura, ela já pesava 59 quilos, pois a academia lhe rendeu massa muscular. “Era o meu sonho desde os treze anos”, confessou. Veio a pandemia e ela acabou deixando a academia de lado. Hoje com 65 quilos ela diz estar satisfeita com o corpo que tem. “Se não cuidar direitinho, engorda de novo, mas como eu não consigo comer igual antes, já não tenho mais aquela compulsão”, revelou.

A falha no tratamento clínico, torna a cirurgia bariátrica e metabólica uma grande aliada no controle eficaz da obesidade e do diabete tipo 2.

Mas, o sucesso da cirurgia vai depender da adesão do paciente ao tratamento e o profissionalismo da equipe multidisciplinar no acompanhamento e acolhimento do paciente em toda essa jornada.

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