‘Não acreditava na invasão, mas hoje acordei com barulho de sirenes’, diz brasileiro que vive tensão para sair da Ucrânia

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Há dois anos na Ucrânia, o sul-mato-grossense e assessor no ramo de barrigas de aluguel, Ross Kassakoff, está de malas prontas para sair de Kiev a qualquer momento.

Por José Câmara, g1 MS

Até então sem uso, as sirenes que foram colocadas durante a 2ª Guerra Mundial e Guerra Fria, em Kiev – capital da Ucrânia -, fizeram o campo-grandense, Ross Kasakoff, acordar na madrugada desta quinta-feira (24). Aquilo que parecia muito longe, hoje começou a se aproximar da realidade: a chegada de tensão aos moradores mais distantes do leste ucraniano.

“Eu, como a maioria dos ucranianos, não acreditava numa invasão. Nós chegamos a tratar como piada para deixar o dia a dia mais tranquilo, mais tolerável. Não acreditava na invasão, mas hoje acordei com barulho de sirenes”, disse o assessor no ramo de barrigas de aluguel e tradutor, Ross Kasakoff.

Há dois anos morando em Kiev, Ross é natural de Campo Grande e foi para a Ucrânia para trabalhar diretamente como assessor de uma empresa que agencia barrigas de aluguel para casais de todo o mundo. O sul-mato-grossense atua diretamente com o público brasileiro.

O clima de tensão é iminente e a mudança na rotina foi repentina, como Ross detalhou em entrevista ao g1MS. “Vi pelo celular que a Rússia tinha invadido a Ucrânia. Recebi inúmeras mensagens, isso fez minha percepção mudar, foi a partir deste momento. A cidade também estava desacreditada, mas hoje começamos a entrar em um estado de atenção. Não é pânico, mas sim atenção”.

Rotina completamente às avessas

Após ouvir o barulho das sirenes e se inteirar da situação sobre a invasão, Ross decidiu ir ao mercado, como muitos outros ucranianos.

“Passei no mercado e os pães foram todos comprados e também uma grande quantidade de álcool, bebidas alcoólicas mesmo. As pessoas compraram bebida e fizeram fila nos postos de combustíveis para poderem abastecer e sair da cidade”, relembra Ross.

Como Ross, milhares de moradores de Kiev ainda tentam deixar a capital da Ucrânia, após a Rússia iniciar a invasão a várias partes do país. A cidade começa a viver um caos. Vídeo abaixo mostra fila de carros para sair da Ucrânia. Assista.

Busca por ajuda

Depois de se inteirar da situação, Ross decidiu ir para casa de um amigo, que mora ao norte de Kiev. Lá, o assessor e outras duas pessoas seguem apreensivos sem saber quais serão os próximos passos.

Ross tentou buscar ajuda por parte da embaixada brasileira na Ucrânia, mas o telefone de contato disponível não atende às chamadas. “Tentei ligar na embaixada brasileira, não sei se foi pelo excesso de ligação que eles estão recebendo, mas não consegui”.

“A última instrução que recebemos da embaixada é de que quem for brasileiro pode sair de Kiev e deve ir rumo ao oeste. Para aqueles que não conseguirem, devem buscar um lugar seguro. Eles não disseram se devemos ir até à embaixada, até mesmo porque não teria o que fazer no local”, contou os detalhes.

Entre as opções mais seguras em Kiev, Ross mencionou a possibilidade de bunkeres que foram construídos durante a 2ª Guerra Mundial. Um outro brasileiro, da região do Vale de Paraíba, está em um bunker. Veja vídeo abaixo.

Brasileiro abrigado em bunker faz apelo a governo por ajuda para deixar Ucrânia
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Segundo embaixada brasileira na Ucrânia, cerca de 500 brasileiros vivem no país. Em um grupo no Telegram, a embaixada emitiu uma orientação para os brasileiros.

“Nós já preparamos tudo, documentos e malas. Abandonei meu apartamento e me juntei com meu amigo. Estamos à espera de uma movimentação ou da embaixada ou da normalização da situação para podermos ir para algum lugar seguro”.

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