Levantamento estima que 40% da vegetação florestal desconhecida está na Amazônia e nos Andes, e que aproximadamente 3 mil das espécies são raras e endêmicas

A biodiversidade ainda tem muito potencial para surpreender a ciência: 9 mil espécies de árvores podem ser descobertas, e um terço dessa vegetação provavelmente é rara, tanto em número quanto em área. É o que aponta uma pesquisa publicada em dezembro na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Entre as árvores desconhecidas, 40% podem estar na América do Sul. Mais especificamente, na Amazônia e nos Andes, onde há biomas compostos por campinas, savanas e matagais, além de florestas tropicais e subtropicais. Aproximadamente 3 mil dessas espécies são raras e endêmicas no continente.

Na Oceania e na Austrália, estima-se que haja 1,5 mil espécies ainda não descobertas e 6,7 mil já conhecidas. Florestas úmidas do nordeste australiano e nas ilhas do Pacífico são um possível “ponto quente” para os exemplares nunca classificados.

Mapa utilizado pelos pesquisadores para o estudo sobre a quantidade e biodiversidade de árvores no planeta — Foto: Cazzolla Gatti et al. / PNAS

O estudo foi realizado pela Global Forest Biodiversity Initiative (GFBI), que mobilizou cerca de 150 cientistas de vários países para passarem anos identificando plantas. No total, os pesquisadores calculam que existam no mundo 73,3 mil espécies de árvores — 14% a mais do que se conhece hoje em dia.

Para realizar a estimativa, a equipe consultou extensos bancos de dados, identificando aproximadamente 40 milhões de árvores entre as 64 mil espécies que já foram identificadas pela ciência.

Roberto Cazzolla Gatti, primeiro autor do estudo, afirma que até hoje os dados sobre o assunto são muito limitados, baseados em observação de campo e listas de espécies, o que prejudica a existência de uma perspectiva global. “Um amplo conhecimento da riqueza e diversidade das árvores é fundamental para preservar a estabilidade e a funcionalidade dos ecossistemas”, afirma Gatti, em comunicado.

Já Andrew Marshall, coautor do estudo, cita em outro comunicado que quanto melhor for a informação sobre as espécies, “melhor podemos informar os planos nacionais e internacionais para prioridades de conservação e metas e gestão”.

O estudo também serve de alerta para os estragos causados pela humanidade na natureza, segundo comenta Peter B. Reich, coautor do levantamento. “Esses resultados destacam a vulnerabilidade da biodiversidade florestal global às mudanças antrópicas, particularmente o uso da terra e o clima”, afirma.

Fonte: Redação Galileu

Foto: Niko photos/Unsplash

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