Conforme apurado pela reportagem do Campo Grande News, a decisão alcança Francisco Job da Silva Neto, José Antônio Mizael Alves, Fernando da Silva, Irismar Gadelha Soares e Moacir Netto. Os dois primeiros, segundo a polícia, ocupavam o topo na hierarquia da quadrilha.
Mizael estava preso em São Paulo e conseguiu a liberdade após a decisão judicial de ontem (21). Job vai continuar preso porque há outro mandado de prisão contra ele. As investigações apontaram que Gadelha e Silva faziam parte do núcleo operacional do grupo e tinham a função de gerentes.
Conforme denúncia do MPE, o grupo contava ainda com responsáveis pelo apoio logístico, núcleo financeiro e até departamento responsável por cooptar e pagar policiais responsáveis pela facilitação do contrabando.
O advogado Wellyngton Ramos Figueira, responsável pela defesa do PRF Moacir Ribeiro da Silva Netto, comentou que o cliente deve deixar o Centro de Triagem Anízio Lima, onde está preso na cela 17 ainda nesta quarta-feira (22).
Conforme a decisão judicial, a revogação das prisões ocorre mediante a algumas medidas cautelares. Em se tratando dos policiais, por exemplo, existe a proibição de eles permanecerem em regiões de fronteira do Estado, incluindo a cidade Dourados, distante a 233 quilômetros de Campo Grande. O advogado adiantou que vai tentar revogar essa condição.
“Agora o processo caminha normalmente, com a fase de instrução ocorrendo, oitiva de testemunhas e depoimentos pessoais dos acusados”, disse.
A operação – As investigações que levaram à operação tiveram início em julho de 2018, com a apreensão de caminhão carregado com 430 mil maços de cigarro do Paraguai. No transcorrer das investigações foram 19 carregamentos apreendidos em caminhões e carretas e 26 pessoas presas. Segundo a PF, os valores de produtos ilícitos apreendidos, em contagem superficial, ultrapassam R$ 70 milhões.
As investigações demonstraram a participação de policiais e de um agente político na organização criminosa. A identidade do político ainda é desconhecida. Ainda conforme a PF, os policiais envolvidos no esquema recebiam propina para facilitar a entrada do cigarro contrabandeado no território nacional e para circulação nas estradas.
A denúncia do MPF descreve a hierarquia da organização criminosa. Os setores são chefia, núcleo operacional e de apoio logístico, núcleo financeiro, núcleo responsável pela corrupção de policiais, e núcleo de agentes policiais responsáveis pela facilitação do contrabando. No topo, são apontados como chefes Francisco Job da Silva Neto (preso em MS) e José Antônio Mizael Alves (preso em São Paulo). No núcleo operacional, são destacados três gerentes: Irismar Gadelha Soares (vereador de Riacho dos Cavalos, na Paraíba), Fernando da Silva e Paulo Henrique Xavier (preso em MS).