Presidente e diretores da Santa Casa são presos por desvios de R$ 4,9 milhões

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Operação do Gecoc e do Gaeco prendeu seis pessoas e cumpriu 36 mandatos de busca e apreensão

(Fonte: MidiaMax)

A diretora-presidente da Santa Casa, advogada Alir Terra Lima, foi presa na manhã de hoje, sexta-feira (11-09), na Operação Antidotum , do Gecoc e Gaeco, que apura desvios que superam os R$ 4,9 milhões no hospital.

Conforme apurado pela reportagem, também estão entre os presos os diretores financeiros da Santa Casa, Rinaldo Hakme Romano, e seu adjunto, Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa – que é advogado e vai para o presídio militar – e também o diretor administrativo, Alessandro Dias Junqueira.

A supervisora ​​do setor de prontuários do hospital, Monique Gregório de Oliveira, também está presa.

Também foi conduzido à delegacia do empresário Maurício Aparecido Benites, que atua no setor de tecnologia. Ele foi proprietário da Exbe Tecnologia e Serviços (CNPJ 47.700.845/0001-53), em , e da Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda. (CNPJ 23.147.735/0001-48), sedeada em Goiânia.

No total, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão.

De Bermuda, o diretor financeiro da Santa Casa, Rinaldo Romano, chega à delegacia. (Foto: Leo de França, Jornal Midiamax)

O contrato de investigação é para prestação de serviços de digitalização de prontuários, em que ocorrem pagamentos de valores elevados sem a contraprestação de serviços. Conforme as investigações, os desvios apurados nesse contrato são de R$ 1,4 milhão. No entanto, os valores totais do desvio aos cofres do hospital são mantidos em sigilo.

No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde — empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande — com diversas empresas do mesmo grupo econômico. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, eram registadas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado.

Empresário Maurício Benites no pátio da delegacia (Rodrigo Santos, Jornal Midiamax)

Somente em 2025, o plano de saúde pagou cerca de R$ 9,6 milhões para essas empresas, com prejuízo de R$ 3,5 milhões para a entidade.

Durante as apurações, constatou-se que os contratos, pagamentos e prestações de contas foram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

Um advogado que representa o escritório de defesa de Alir e Rinaldo está na delegacia de polícia e confirmou as prisões à reportagem, afirmando que a defesa se manifestaria posteriormente.

Já o advogado Fábio Leandro, que representa Maurício, disse que “Vai aguardar o acesso aos autos para se pronunciar”.

O advogado de Monique, Leandro Gregório, disse que vai aguardar o acesso aos autos para se manifestar.

Presos são contínuos até a delegacia pelo Gaeco. (Foto: Leo de França, Jornal Midiamax)

Santa Casa diz que está colaborando com investigações

Em nota divulgada na manhã desta sexta-feira (11), o hospital diz que está “colocando-se à disposição para fornecer informações e esclarecimentos, que foram formalmente solicitados” .

Ainda conforme a nota, a “instituição respeita e acompanha o trabalho das autoridades competentes ”, mas afirma que só se manifestará após o lançamento dos autos.

Por fim, o hospital disse que “os atendimentos à população seguem normalmente, sem qualquer prejuízo à assistência aos pacientes” .

Ao menos seis equipes do Gaeco estão na Santa Casa. (Vinícios Araújo, Jornal Midiamax)

Investigada por desvios, Santa Casa passa por crise histórica

O Jornal Midiamax acompanha há anos problemas envolvendo a Santa Casa. Recentemente, o maior hospital de Mato Grosso do Sul enfrentou uma das piores crises de sua história.

Com pagamentos atrasados ​​a funcionários e fornecedores, o hospital teve missão em massa de médicos especialistas, o que fez com que toda a ala de cirurgia cardíaca pediátrica do hospital, que era referência na especialidade no Estado, fosse fechada.

Alvo da Operação Antidotum , do Gecoc e do Gaeco, nesta sexta, o hospital vem recebendo constantemente apoios milionários do poder público, a fim de evitar o colapso na saúde.

Após o episódio da demissão em massa de médicos, o Governo do Estado e a Prefeitura de Campo Grande fizeram um repasse emergencial de R$ 4 milhões.

Enquanto isso, a Santa Casa move diversos processos na Justiça cobrando mais dinheiro público. Em um deles, o hospital pede o aumento do repasse mensal no montante de R$ 156 milhões ao ano, alegando estar com déficit mensal de R$ 13 milhões.

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