O ‘sucesso’ de um negócio envolvendo propina teria sido comemorado após a finalização de um acordo. Relatório do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) mostra que as investigações sobre esquema de corrupção levou servidores a citar festa para celebrar o fato.
“Hoje vamos tomar uma. Merecemos”, teria afirmado mensagem enviada pelo agora ex-coordenador estadual de Regulação da Saúde, Ed Carlo Britto Burgatt.
Tal relato ocorreu na noite de 2 de agosto de 2022 e horas depois, ele acrescentou: “Vou na Valley comemorar”, citando boate existente na Capital.
De acordo com o Campo Grande News, essa conversa integra relatório do Gaeco sobre contratos milionários firmados pela Editora Avante com prefeituras de Mato Grosso do Sul.
Naquele mesmo dia, segundo o rastreamento bancário, R$ 50 mil foram transferidos para a conta de Ed Carlo.
O dinheiro percorreu um caminho curto. Primeiro, a Editora Avante recebeu R$ 1.044.355 do fundo municipal de educação de Miranda. Foram duas transferências, uma de R$ 241.150 e outra de R$ 803.205, relacionadas à compra de livros paradidáticos pelo município.
Ainda naquele dia, a empresa transferiu R$ 52 mil para Jessyca Duarte Burgatt, filha de Ed Carlo. Em seguida, ela repassou R$ 50 mil ao pai por Pix, conforme os dados bancários reproduzidos na investigação.
Conforme relatado pelo portal de notícias, as mensagens localizadas no e-mail de Ed Carlo mostram que a comemoração começou a ser combinada no início da noite. Às 18h37, ele escreveu para o advogado e representante da editora, Gabriel Taquino de Paula: “Hoje vamos tomar uma” e “Merecemos”. Na sequência, afirmou: “Como eu recebi eu pago”.
Pouco depois das 22h50, Ed Carlo elogiou o cumprimento de um acordo, usando as palavras “isso é ótimo” e “credibilidade”. Às 22h56, anunciou: “Vou na Valley comemorar”. Gabriel respondeu: “É gostoso ganhar 50 assim”.
Segundo os investigadores, Ed Carlo fazia contatos ou intermediava encontros com representantes municipais, enquanto Gabriel se apresentava como vendedor da empresa. O objetivo atribuído à dupla era obter vantagens decorrentes das contratações.
A compra realizada por Miranda foi formalizada no contrato nº 208 de 2022, por inexigibilidade de licitação, modalidade que permite contratação direta em situações específicas. O valor contratado foi exatamente o mesmo depositado na conta da Editora Avante em 2 de agosto: R$ 1.044.355.
O PIC (Procedimento Investigatório Criminal) foi aberto em 2023 para apurar, em tese, a existência de uma organização criminosa voltada a crimes como corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e delitos relacionados.

