A médica veterinária Lidiane, de 42 anos, presa por tentativa de homicídio após o marido sofrer queimaduras graves durante uma discussão em Campo Grande, afirmou à Polícia Civil que pretendia apenas pressionar o companheiro a confessar uma suposta traição e negou ter tido a intenção de matá-lo.
O caso ganhou novos desdobramentos após o depoimento da suspeita ser anexado à investigação. Conforme informações divulgadas pelo site Campo Grande News, Lidiane declarou aos investigadores que acreditava estar diante da única forma de fazer o marido contar a verdade sobre um suposto relacionamento extraconjugal.
Segundo o relato da veterinária, a discussão começou ainda durante a madrugada de segunda-feira (22) e teria sido motivada por desconfianças relacionadas ao período em que o marido, ex-diretor do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), passou a trabalhar em Brasília desde 2024.
À polícia, ela contou que o casal passou a noite discutindo e que, pela manhã, quando o marido organizava os pertences para retornar à Capital Federal, pegou um recipiente com álcool na cozinha. A intenção, segundo afirmou, era atear fogo apenas na mochila com os objetos pessoais dele para impedir a viagem.
Lidiane relatou que parte do líquido pode ter atingido a camiseta usada pelo companheiro. Em seguida, ela o acompanhou até a garagem carregando um isqueiro e um maço de cigarros. A suspeita alegou que pretendia apenas assustá-lo.
“Eu queria que ele me dissesse a verdade”, afirmou durante o interrogatório, conforme notícia replicada pelo Dourados News.
Ainda conforme o depoimento, após acionar o isqueiro, percebeu que a camiseta do marido começou a pegar fogo. Ela afirmou ter tentado retirar a roupa e apagar as chamas junto com o companheiro.
Inicialmente, a informação repassada às autoridades apontava que a vítima apresentava queimaduras em cerca de 80% do corpo. No entanto, uma avaliação médica posterior revisou o quadro e constatou lesões em aproximadamente 30% da superfície corporal, principalmente no tronco e nos membros superiores.
Apesar da redução no percentual estimado, o homem permanece internado em estado grave, entubado e sob cuidados intensivos na UTI do Proncor.
Durante o interrogatório, Lidiane afirmou estar arrependida e declarou que não pretendia causar ferimentos ao marido. Ela também confirmou que realiza tratamento psiquiátrico há anos e que estava sem utilizar a medicação prescrita havia cerca de 15 a 20 dias.
A investigação apontou ainda que a veterinária possui diagnóstico de depressão, transtorno de ansiedade generalizada e síndrome do pânico, conforme relato da filha à Polícia Civil.
Mesmo diante da versão apresentada pela suspeita, a Polícia Civil entendeu que os elementos reunidos até o momento indicam tentativa de homicídio qualificado pelo emprego de fogo. A prisão em flagrante foi mantida e a autoridade policial solicitou a conversão da medida em prisão preventiva.
O caso segue sob investigação.

