Operação Pietra Cava cumpre 16 mandados de busca e apreensão nas cidades de Ponta Porã, Jardim, Campo Grande e Bonito
Equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) com apoio do BPChoque (Batalhão de Choque da Polícia Militar) e do Bope (Batalhão de Operações Especiais) cumprem nesta quinta-feira (9-04), mandados de prisão e de busca contra integrantes de organização criminosa que atua no tráfico de cocaína.
Ao todo, são cumpridas 6 ordens de prisão preventiva e mais 16 de busca em Campo Grande (capital de Mato Grosso do Sul), Bonito e Jardim (região Noroeste de MS) e em Ponta Porã (região Cone Sul de MS na fronteira com o Paraguai), que resultaram na apreensão de diversas armas e munições.
De acordo com informações do Ministério Público do Estado divulgadas pelo Campo Grande News, em Jardim, a 236 quilômetros de Campo Grande, as viaturas estavam em uma casa no Bairro Cohab Aeroporto e outra equipe em um prédio na área central da cidade. Por sua vez, o portal Jardim MS News informa que em Ponta Porã, os policiais atuaram na Vila Planalto.
Pedra de mármore e cocaína
Do italiano “Pedra Cavada”, o nome da Operação, ainda conforme detalhado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, faz referência ao modo usado pela organização criminosa para transportar a droga.
A investigação revelou que a empresa de marmoraria fazia o transporte de cocaína em meio à carga de pedras. A droga era colocada em compartimentos criados para o tráfico.
Neste contexto, as substâncias ilícitas estariam sendo transportadas em perfurações feitas nas pedras de mármore, com o Gaeco apontando para uma apreensão de quase uma tonelada (800 quilos) pertencentes à quadrilha em 2025.
Da atuação do grupo criminoso, que rodava pela microrregião conhecida como Bodoquena, o Gaeco esclarece que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) teve êxito em localizar carregamentos desse tipo, por exemplo, em Guia Lopes da Laguna.
Com a troca de informações com o posto da PRF em Guia Lopes, com o 11° Batalhão da Polícia Militar e com apoio de equipes dos batalhões de Choque e Operações Policiais Especiais, seis indivíduos foram presos na ação de hoje (09).
“Mocós” de pó
Ainda no primeiro semestre de 2024, há quase dois anos, a decisão unânime da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) respondeu ao MPMS que os chamados “mocós” são materiais suficientes para classificar um crime como premeditado e, assim, aumentar a pena para essa modalidade do tráfico de drogas.
O Correio do Estado informa que há tempos as polícias buscam combater essas organizações criminosas, que se especializam na fabricação de fundos falsos para o transporte de drogas, e até mesmo possuem oficinas especiais dedicadas a esse serviço.
Cabe citar o exemplo da Operação Guatambu II, mirando organização criminosa com oficina de fundos falsos, com mandados cumpridos ainda em 16 de maio de 2024 em cinco cidades de três Estados diferentes, incluindo três municípios sul-mato-grossenses.
Campo Grande–MS,
Aquidauana–MS,
Anastácio–MS,
Birigui–SP e
Fortaleza–CE.
Desde então, entretanto, as apreensões não diminuíram, sendo que Mato Grosso do Sul havia registrado um aumento de 50% no volume de cocaína apreendida em rodovias federais que cortam o Estado até o fim de junho do ano passado, conforme dados compilados pela PRF em balanço semestral, sendo 8,3 toneladas totais nesse período em 2025.
Justamente algumas dessas apreensões revelaram que o crime ainda se vale de práticas antigas, como o uso desses esconderijos em veículos para acomodar as substâncias a serem distribuídas pelo tráfico. Em 2025, por exemplo, carregamentos foram localizados ocultos das mais diversas formas num intervalo de 30 dias, entre cargas de ossos, minério e até entre produtos de limpeza.
Em 12 de fevereiro, por exemplo, 120 kg de cocaína foram apreendidos na BR-262, droga essa que estava fracionada e escondida entre cargas de ossos, armazenadas em tambor plástico com capacidade para armazenar até 200 litros
Outra carga interceptada na BR-262, menos de dez dias depois, também tentava passar substâncias entorpecentes entre carregamento lícitos, sendo 391 kg de cocaína e 247 Kg de maconha localizados nessa ocasião em um bitrem, que transportava minério de ferro.
Como se não bastasse, até mesmo uma carga de produtos de limpeza foi usada para tentar camuflar um carregamento de cocaína que, segundo a Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira (DEFRON), foi avaliado em R$ 15 milhões após apreensão feita em após o início de março.
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