Iniciativa destaca dignidade e direito à habitação
Renato Ribeiro – Repórter da Rádio Nacional
Com o tema “Fraternidade e Moradia – Ele veio morar entre nós”, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança hoje, quarta-feira (18-02), a Campanha da Fraternidade 2026.

Este ano, a proposta é uma reflexão sobre a moradia como condição essencial para a dignidade humana.
No Brasil, são mais de seis milhões de famílias sem moradia adequada e cerca de 330 mil pessoas em situação de rua.
Segundo a CNBB, a campanha quer iluminar, à luz do Evangelho, a realidade de milhões de brasileiros que ainda não têm acesso a uma casa digna.
A escolha do tema reforça o compromisso histórico da Igreja com a defesa dos direitos sociais e da justiça. A abertura nacional será realizada na sede da CNBB, em Brasília.
Participam do evento representantes de pastorais sociais, movimentos populares, organismos e parceiros da Igreja. O momento marca também o início das mobilizações em todo o país e dos objetivos pastorais para este ano.
Para a CNBB, a casa é a porta de entrada para todos os demais direitos; ou seja, sem moradia, faltam segurança, saúde, educação e dignidade. Inspirada na Encarnação de Cristo – “Ele veio morar entre nós” –, a proposta convida à conversão pessoal e social.
A programação de lançamento da Campanha da Fraternidade segue no próximo sábado e domingo, no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo.
EM CAMPO GRANDE (MS)
“Quando cheguei a Campo Grande, há 15 anos, vindo da CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil], não tinha favelas aqui, e hoje são várias. Cada um fala um número, isso sem falar que existe a questão dos moradores em situação de rua. Dependendo da região, você não os vê e outras, a cada 100 metros, vê muitos, então, vamos trabalhar a abordagem, como fazer, abrigos. No texto base existe uma estatística, em âmbito nacional, da questão da moradia e dos moradores de rua.”
A fala do arcebispo Dom Dimas Lara Barbosa revela o tema da Campanha da Fraternidade 2026, que envolve a moradia. “Em Campo Grande, dentro da Igreja, nós temos o Lar São Francisco — que atende homens — e o Lar Santa Clara — cujo atendimento é para as mulheres. Ambos fazem um verdadeiro trabalho de reinserção destas pessoas na comunidade. Alguns chegam sem notícias alguma da família, sem documentos e até mesmo de onde vieram”, comenta.
Conforme Dom Dimas, o caso das mulheres é ainda mais complicado, porque envolve violência doméstica. “Algumas chegam até com maxilares quebrados e feridas na cabeça, por exemplo, porque são vítimas de violência e, com muita facilidade, entram na dependência do álcool e drogas. Então, é um longo trabalho, feito há mais de 20 anos nestes locais”, explicou.

