-Primeiro tempo contra o Internacional mostrou com grande eficiência a ideia ofensiva do técnico: ataques envolventes, com muita mobilidade do quarteto ofensivo-
Um dos grandes equívocos do futebol brasileiro é a ideia de que apenas o talento e a técnica, representados na figura do drible, são responsáveis pela qualidade e organização ofensiva de um time. É tudo o que o Flamengo de Jorge Jesus, semifinalista da Libertadores após 35 anos, não faz. O time tem talento, mas também tem organização para que esse talento apareça em campo.
Primeiro, precisamos entender que existem várias formas de se atacar no futebol. Podemos dividir em três formas “macro”, cada uma com suas organizações: você pode fazer gols contra-atacando (como o 1º gol do Fla), com a bola viajando enquanto o adversário está desorganizado, pode fazer um ataque apoiado, que é trabalhar mais a bola, com passes mais curtos, como o Fluminense do Diniz fazia, ou pode atacar rápido: bola trabalhada, mas para frente, com jogadores se deslocando no espaço.

O ataque rápido não é o que costumamos chamar de posse de bola – leia mais aqui. Ele é mais direto e rápido, e por isso envolvente. Faz o campo parecer maior, e por ser sempre para frente, faz o time chegar e criar chances num ritmo muito maior do que normalmente criaria. Vamos entender como funciona a mecânica dessa ideia.
Quarteto ofensivo sempre no espaço entrelinhas
O quarteto ofensivo do Flamengo se movimenta de forma incessante, quase frenética. Gabigol, Ribeiro, Bruno Henrique e Arrascaeta, muitas vezes Gérson ou Arão, sempre buscam estar acima da linha da bola e na lacuna entre a defesa e o meio do adversário. Esse é o chamado espaço entrelinha. É um posicionamento até rígido: eles sempre buscam estar no meio do caminho entre o zagueiro e o volante, como você vê na imagem.
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A consequência dessa organização é que o Fla sempre tem muitas opções de passe pelos lados. Contra o Inter, Rafinha (61) foi o jogador com mais passes feitos. Os laterais são os grandes criadores desses times, porque enxergam de frente e conectam quem estiver melhor colocado. Rafinha tem três opções acima, e se a marcação aperta, Cuellar está por perto. Além disso, a troca de posição gera dúvidas na marcação do adversário. Arrascaeta trocou com Gabigol aqui, e Bruno Henrique trocou com Éverton.
Jogar sem a bola é fundamental para atacar
Essa organização entrelinhas cria condições para que o time crie o tempo todo. Gabigol perde muitas chances, mas se perde, é porque cria bastante. Taticamente, o que produz essa criação são as projeções de quem está livre nos espaços vazios. A posição faz toda a diferença: quem recebe está num espaço vazio, e os jogadores devem novamente se mover para passar da linha da bola e criar ainda mais condições de trocar passes. Na imagem abaixo, o Fla começa a atacar com a bola na defesa. Cuellar afunda na linha dos zagueiros e faz a saída de três.


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